Um festival dedicado ao Jazz

Há 13 anos que o edpcooljazz transforma Oeiras na capital do jazz. Um festival concentrado num nicho de mercado que ja fidelizou artistas de renome (como Seal, por exemplo) e visitantes.

foto_stacey_04_baixaHá só um significado para a soma entre julho e Oeiras. Os termos “festival de verão” surgem imediatamente na memória. E não é por acaso. Há 13 anos que a autarquia recebe o edpcooljazz, um festival organizado pela Live Experiences e pela Música no Coração e que é dedicado a um estilo de música muito particular: o jazz. E que consegue trazer grandes nomes do panorama musical. Que garantem a sua continuidade e fidelizam os visitantes. Este ano não é exceção. A prova está no cartaz deste ano (e dos anos anteriores) onde constam nomes como Seal, Marisa Monte, Stacey Kent, Carminho, Nouvelle Vague entre muitos outros. Um festival que, como referiu Karla Campos, managing director da Live Experiences, já juntou mais de 275 mil pessoas, em mais de 130 concertos.

O que levou à organização de um festival dedicado ao Jazz?

Nos últimos 20 anos surgiram em Portugal uma série de festivais concentrados no período do verão, que vieram para ficar e transformaram os hábitos dos portugueses. Atenta a este fenómeno desde o inicio, detetei que um determinado público e estilo de música não estavam contemplados e se havia uma tendência porque não estender a outros públicos, foi quando me ocorreu criar em 2004 o que é hoje o edpcooljazz.

Sendo o Jazz um micro nicho, o que poderia comprometer o projeto, para além de já existir um festival dedicado ao Jazz, resolvi associar outras sonoridades que se fundem muito bem como Jazz: Soul, disco, funk, música brasileira, música portuguesa porém sempre com um toque de jazz. Um festival internacional que me inspirou bastante no desenho do edpcooljazz e me abriu os horizontes foi o Festival de Jazz de Montreux.

O que diferencia o edpcooljazz e o que o tem feito resistir aos outros festivais de Verão?

O edpcooljazz é um evento musical de referência realizado em cenários idílicos, ao longo do mês de julho, juntando natureza, património e música. Foi lançado pela primeira vez em 2004 com o objetivo de oferecer um evento turístico e cultural distinto a todos os amantes de música de gosto eclético mas sempre com uma forte componente “cool”, que lhe dá o nome.

Os Jardins do Marquês de Pombal e o Parque dos Poetas, em Oeiras, são os palcos escolhidos para os concertos do edpcooljazz. Estes espaços verdes, representativos da arte do paisagismo em Portugal, são decorados por bustos e estátuas de mármore, muretes e escadarias revistas pelo mesmo material. Uma jóia do concelho de Oeiras integrada no centro histórico da vila. Para além dos concertos e da beleza natural dos espaços, os participantes do edpcooljazz podem ainda contar com o Cool Pick&Go, onde estão disponíveis bebidas e gastronomia para tornar ainda mais cool estas sete noites de verão tão especiais.

Ao longo destes 13 anos, o edpcooljazz já produziu mais de 130 concertos, juntando mais 275.000 pessoas que num ambiente intimista, perto dos palcos, e sem o aglomerado das grandes multidões, pôde assistir a espetáculos individuais numa junção única entre música cool, história, património e natureza, o verdadeiro conceito do edpcooljazz, Cool Energy.

Quais as novidades deste ano?

O cartaz junta artistas e funde sonoridades únicas. Jill Scott (com Charlie Wilson na primeira parte) fez as honras para abrir a primeira das oito noites deste grande evento. A galardoada cantora e compositora norte-americana estreou-se em Portugal no dia 12 de julho para uma atuação repleta de soul nos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras. No dia seguinte, 13 de julho (quarta-feira) o festival marcou mais uma grande estreia em Portugal, a jovem revelação inglesa Frances, numa atuação nos mesmos jardins mágicos que são imagem de marca deste festival. Frances é já um sucesso em Portugal e bastante conhecida pela sua música “Grow”, utilizada na campanha institucional que assinala os 40 anos da EDP.

No domingo, dia 17 de julho, sobem ao palco os britânicos The Cinematic Orchestra, orquestra composta por nove elementos que dão corpo a sonoridades numa fusão perfeita do nu jazz e a pop electrónica. A primeira parte será assegurada por Salvador Sobral.

Seal será mais um nome de topo mundial a preencher o cartaz de luxo deste ano, num concerto que será realizado no Parque dos Poetas/Estádio Municipal de Oeiras no dia 20 de julho. O cantor britânico de soul music regressa a Portugal para celebrar os seus 25 anos de carreira e traz na bagagem o seu ultimo disco “Seal 7”. Os portugueses HMB vão aquecer o público com o “soul” luso na primeira parte deste grande concerto.

A 21 de julho, uma noite no feminino com Stacey Kent, considerada uma das melhores vozes de jazz da atualidade e muito acarinhada pelo público nacional e a portuguesa Marta Ren, que terá as honras de abertura.

Os franceses Nouvel le Vague sobem ao palco no dia 23 de julho, uma noite especial, dois em um, já que contará ainda com o concerto dos Koop Oscar Orchestra, nos Jardins Marquês de Pombal. Enquanto os primeiros trazem uma coletânea de covers de músicas punk rock, pós-punk e new wave dos anos 80 ao estilo Bossa nova dos anos 60, os segundos irão espelhar os jardins com uma fusão única da música eletrónica com o Jazz, num ambiente que remete para os sons dos cabarés e apaixonantes ritmos dançantes.

A 26 de julho será a vez do ritmo cubano invadir os Jardins Marquês de Pombal com dois grandes concertos: as duplas Omara Portuondo & Diego el Cigala e Luís Represas com Paulo Flores. A diva dos Buena Vista Social Club regressa a Portugal em dupla com o mais relevante e inovador cantor de flamenco numa noite única de fusão de sonoridades que é uma marca distintiva e habitual do edpcooljazz.

Para terminar em grande, e em língua portuguesa, “Marisa Monte convida Carminho” terá as honras de encerramento do festival, dia 27 de julho, nos Jardins do Marquês de Pombal. Um concerto que vai marcar esta edição pela cumplicidade que existe entre as duas cantoras e que se reflete de uma forma singular na composição resultante da mistura dos géneros musicais das duas cantoras de língua portuguesa.

Como é feito o alinhamento dos artistas e com que antecedência?

A programação do edpcooljazz é pensada e tratada o ano inteiro, nunca paramos.

Quais as previsões de afluência para a edição deste ano? Seguem em linha com os valores dos anos anteriores?

Andaremos à volta dos 40 a 45 mil espectadores.

Quais os critérios de seleção dos artistas? Como é feito o agendamento dos concertos?

Artistas de Jazz, Soul, Pop, música brasileira e portuguesa mas que tenham sempre de fundo uma proximidade ao Jazz. De entre os artistas deste espectro procuramos sempre possíveis fusões resultando em atuações únicas no edpcooljazz.

Qual o perfil do público que assiste ao festival?

Um público mais velho entre os 35 e os 70 anos. Residentes nos centros urbanos. Exigente que procura conforto, espaço, proximidade e intimidade com os artistas. Gosta de ouvir boa música.

Está confirmada a edição do próximo ano?

Sempre!

Por Alexandra Costa/OJE

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