Guimarães: Recuar no tempo na cidade berço

No cimo do monte, em Guimarães, fica a Pousada, localizada num antigo mosteiro. Um local onde abundam a paz e o sossego e onde é possível descansar e ter uma vista geral do local que deu origem ao nosso país.

SONY DSCGuimarães é uma cidade sui generis. E com razão. Foi ali que nasceu (pelo menos os historiadores dão a cidade como o local mais provável) D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. E, um pouco por toda a cidade, há sinais desse orgulho. Mesmo porque ainda há muitos vestígios de tempos idos. Um desses local é claramente a Pousada de Santa Marinha da Costa, localizada no antigo mosteiro mandado erigir pela Rainha D. Mafalda – mulher de D. Afonso Henriques (só por esta referência podem perceber a sua importância e antiguidade – afinal, é datado do século XII).

A localização tem a vantagem de oferecer uma vista privilegiada da cidade. É certo que, para quem pretende ir até Guimarães a pé, o regresso é algo “agreste”. Mas vale a pena.

Um pouco por todo o lado da Pousada se respira história. À arquitetura típica dos mosteiros da altura juntou-se os confortos da vida moderna. Alas amplas, tetos gigantescos (ou assim parece), paredes de pedra e algumas estátuas. Uma decoração simples e despojada (afinal tratava-se de um mosteiro) mas nem por isso carente de significado. A Pousada não só oferece inúmeros locais de descanso (onde é possível descansar e ler um livro, por exemplo) mas também um amplo jardim onde é possível passear e fazer um pequeno percurso pedestre. Há inclusive um mapa com todas as explicações necessárias. A isto junta-se uma piscina e voilá.

Esta é uma unidade hoteleira onde se respira história em cada espaço, onde há a curiosidade para ler as identificações dos vários quadros expostos para saber a sua identificação e o seu papel na história de Portugal.

Um dos espaços emblemáticos da Pousada Mosteiro de Guimarães e que proporciona um ambiente relaxado, quase como o “estar em casa”, é o bar. A antiga cozinha do mosteiro ainda mostra sinais da sua antiga atividade, nomeadamente na enorme lareira. O aconchego associado, mesmo quando esta não está acesa, é complementado pelos sofás confortáveis. E, quando o tempo assim o permite, pela esplanada, onde é possível desfrutar de uma bebida.

Mesmo que o objetivo da viagem seja o de conhecer a cidade assegure um tempo para conhecer a Pousada. Para passear, lentamente, pelos vários espaços, pelos corredores. Para sonhar com tempos idos. Com as pessoas que viveram entre aquelas paredes. Para apreciar verdadeiras obras de arte, como o imponente teto da antiga biblioteca, hoje Salão Nobre, as paredes forradas a painéis de azulejos joaninos (do século XVIII) da sala do capítulo, a calma e a paisagem da varanda de Frei Jerónimo, onde é possível não só ter uma vista panorâmica da cidade, mas também ver dois painéis de azulejos joaninos onde figura a passagem do mosteiro da ordem dos Agostinhos para os Jerónimos e uma aula do mais famoso aluno da escola, Dom Duarte de Portugal. E depois… e depois há os próprios quartos, principalmente se ficar alojado na ala antiga.

Por outro lado, jantar na Pousada é recuar no tempo. É comer numa sala com paredes de pedra e degustar a gastronomia regional, complementada pelos tradicionais doces conventuais. Uma dica? Aposte no bacalhau.

Por Alexandra Costa/OJE

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