Viagem pelo passado da Vista Alegre

Sabia que a história da Vista Alegre começou no vidro? Essa é apenas uma das muitas curiosidades que irá aprender ao visitar o Museu.

Foto: Alexandra Costa

Foto: Alexandra Costa

O Museu da Vista Alegre, em Ílhavo, inaugurou (na nova localização), em pré-abertura, no dia 2 de abril. Um espaço, localizado mesmo ao lado da fábrica, inaugurada em 1824 e que ainda está em funcionamento.

À entrada, um dos símbolos emblemáticos da marca. Um dos antigos fornos, agora desativado. Sabia que a Vista Alegre é o (ou dos) fabricantes de porcelana que coze a mais alta temperatura (cerca de 1.400 graus celsius)? Algo que confere mais qualidade e resistência à porcelana.

O Museu está dividido em várias salas, cada uma abordando a evolução da marca e mostrando as várias temáticas importantes no seu quotidiano/cultura. E, é claro, que tudo começa com o fundador – José Ferreira Pinto Basto. Sendo que na altura (e ainda hoje) a vertente social sempre foi muito forte. Era frequente haver famílias inteiras a trabalhar na fábrica. Foi criado um bairro, uma creche… e todos tinham de entrar calçados. Para muitos, o primeiro sapato foi dado pela Vista Alegre. Esta preocupação reflete-se na fotografia do centenário da empresa, que ocupa uma das paredes da primeira sala. Crianças, mulheres e homens, com a administração, discretamente de lado.

Os primeiros trabalhos foram realizados em vidro (apesar de a ideia inicial ter sido, sempre, a de produzir porcelana). A explicação é simples. Faltava um ingrediente essencial que só foi descoberto mais tarde. As primeiras tentativas foram isso mesmo. Tentativas. Com os pintores ainda a tentarem perceber como se pintava em porcelana (algo completamente diferente de pintar em tela, por exemplo). Por outro lado, verificou-se que determinadas tintas quando iam ao forno adquiriam tonalidades diferentes. Basicamente os primeiros tempos foram de aprendizagem. E esses testes estão espelhados como uma montra da evolução da marca.

Uma das salas é totalmente dedicada às peças comemorativas. Como por exemplo o Vaso “Rosseau” com o monograma e retrato de D. Maria Pia de Sábia. Peça datada de 1908 e enviada para a Exposição comemorativa do 1o Centenário da abertura dos portos ao comércio internacional – no Rio de Janeiro, em 1909.

Espaços amplos, com muita luz, onde as peças expostas são a principal atracção. Onde é possível ver, não só a evolução da técnica e dos estilos, mas também as várias influências – como a área dedicada às peças com influência japonesa – a preocupação em registar a natureza ou os temas religiosos. A associação a artistas de renome sempre esteve presente embora seja um tema mais vincado nos últimos tempos. De tal forma que há uma ala dedicada a peças emblemáticas, como a criada por Joana Vasconcelos.

No fim… passe pela loja. Nem que seja para ter uma visão das coleções mais recentes. E aprecie aquela que é uma arte e uma marca sobrevivente.

MUSEU DA VISTA ALEGRE
Ílhavo

Horário
Segunda a Domingo – 10h às 19h
Bilhetes
Inteiro – 6,00€ (adulto dos 18 – 64 anos)
Reduzido – 3,00€ (sénior >= 65 anos, estudantes, cartão jovem)
Família – 16,00€ (2 adultos e 2 ou mais filhos < 18 anos)

Alexandra Costa/OJE

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