Caminhos Cruzados

Um projeto familiar, de Nelas, que tem como marca bandeira uma “antiguidade” do Dão – Titular.

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Começou com uma espécie de brincadeira. Uma forma de homenagear o pai e passar do vinho de garrafão para algo mais bonito. Umas garrafas de vidro, com um rótulo “jeitoso” que era bebido em casa e distribuído pelos amigos.

Estava-se em 2010 quando o pai de Lígia Santos decidiu criar a empresa e profissionalizar algo que, até então, era apenas um (bom) motivo para reunir a família nas quintas em Nelas, distrito de Viseu.

O que começou como uma brincadeira rapidamente ganhou alguma dimensão. E, em família, decidiu-se que era necessário ter alguém a dirigir o projeto. A escolha recaiu sobre Lígia Santos que se ressentiu ao pensar em ter alguém a decidir sobre algo que era muito pessoal. Foi então que abandonou a sua antiga carreira – advocacia – e abraçou uma nova.

Não que a família tenha negligenciado o projeto. Nada disso. Os rótulos, os nomes… era sempre tudo decidido em família.

Para ajudar a Caminho Cruzados decidiu apelar para a ajudar de dois enólogos bem conhecidos do mundo dos vinhos e do Dão em particular: Manuel Vieira e Carlos Magalhães.

A aposta provou ser certeira. Nos últimos dois anos a empresa cresceu e agora está a construir uma adega “futurista”, no meio das vinhas e com o formato do logotipo da Caminhos Cruzados.

As histórias por detrás dos nomes

O nome da empresa, Caminhos Cruzados, foi decidido à mesa. Em família. Os pais de Lígia Santos não acreditam em coincidências, mas sim que, por vezes, as pessoas têm de tomar caminhos meio estranhos para alcançar os seus objetivos. Onde a estrada não é a direito. Onde há buracos.  Mas “quando dois caminhos se cruzam coisas extraordinárias podem acontecer”. Que é, precisamente, o caso da Caminhos Cruzados. Nenhuma das pessoas envolvidas tinha um background no mundo dos vinhos. Mas haviam muitas histórias por trás, que cruzavam e encruzavam.

Já o vinho bandeira da empresa, o Titular “achava que era uma história do imaginário do meu pai”, revela Lígia Santos. Isto porque se recordava de ver uma garrafa de vinho com esse nome, quando era criança, à mesa com o pai (avô de Lígia). Quando foi necessário criar um nome para o vinho foi feita uma pesquisa para ver se a marca estava registada. Como o resultado foi negativo… E assim nasceu o Titular, da Caminho Cruzados.

Recentemente um funcionário, ao fazer uma limpeza na zona mais antiga da adega, descobriu uma garrafa, muito antiga, com o rótulo original. Uma recordação de infância que acabou por resultar na recuperação de uma marca antiga do Dão.

As marcas

O Titular é a marca “bandeira” da Caminhos Cruzados. Mas a empresa possui mais duas: a Terras de Santar e Terras de Nelas, mais vocacionadas para a grande distribuição. Normalmente a uva originária dos cerca de 26 hectares próprios é utilizada na produção do Titular e a uva adquirida (a produtores acompanhados anualmente pela Caminhos Cruzados) nas outras duas marcas.

Este ano a empresa conta apresentar uma novidade: uma nova marca – Teixuga – produzidos com os vinhos da Quinta da Teixuga, conhecida pelas suas vinhas velhas e pela produção de Encruzado. Esta vai ser o vinho “suprassumo”. Ou o topo do topo. Uma edição limitada de cerca de 1.600 garrafas de branco e outras tantas de tinto.

Novas experiências

A pensar no mercado internacional a empresa decidiu, aquando da plantação de novas vinhas, apostar nalgumas castas internacionais. Não só para tentar adequar o produto final ao gosto do mercado em causa, mas também porque ajuda, aquando da apresentação do vinho, em aproximar as castas portuguesas com as internacionais. Ao saber qual a casta (internacional) preferida encontrar uma portuguesa que seja semelhante.

Por enquanto o mercado interno ainda representa o grosso do negócio (cerca de 70%) mas as exportações estão a crescer. É o caso dos Estados Unidos, fruto de toda a promoção que o país (e os vinhos em particular) recebeu no ano passado. “Há uma apetência pelo vinho português”, afirma Lígia Santos.

O futuro poderá passar por negócios complementares. A nova adega será inaugurada com a vindima deste ano (setembro) e a partir dessa data será possível fazer visitas e provas. A ideia é, igualmente, fazer vários eventos, com alguns chefes convidados. Basicamente aproveitar a riqueza gastronómica da região. Questionada sobre as outras valências do enoturismo, com alojamento, Lígia Santos refere que é algo que está a ser avaliado. Assim como a possibilidade de avançar com a produção de uma colheita tardia, como forma de homenagear o avô. Mas é algo que, para já, ainda está, apenas, a ser avaliado.

Por Alexandra Costa/OJE

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