International Gourmet Festival: harmonia de sabores … asiáticos

Quando três chefs (estrela Michelin) se juntam para criar um menu tailandês o resultado só pode ser sublime. Uma mistura de sabores, texturas e pequenas maravilhas. Para degustar, gostar e pedir mais.

Este ano tive a felicidade de estar presente em duas das refeições do International Gourmet Festival. Um acontecimento anual que reúne os melhores chefs do mundo. Uma oportunidade de provar iguarias inigualáveis

No último almoço do Festival a expectativa era grande. E não era para menos. Não só iriamos ter três chefs a cozinhar como a ementa obedecia a uma orientação tailandesa/asiática.

Heinz Beck, chef responsável pelo restaurante Gusto, no Conrad Algarve, deu um mote com um mimo. Com o título de “Il Mare”, e tal como o nome indica, o seu aroma e paladar levava-nos ao mar. Aquele sabor algo salgado e simultaneamente fresco.

O chef Gaggan Anand foi o responsável pelos dois pratos seguintes. A entrada, “Foie Gras willi tonka”, acompanhada do vinho verde Soalheiro Docil 2011 e o primeiro prato, “Dhokla”, servido com Campolargo Espumante Pinot Noir 2011, da Bairrada.

O espumante, ligeiramente doce, serviu de contraste ao sabor intenso do foie gras. Uma acidez que permitiu limpar o palato e preparar-nos para mais uma grafada. Quanto à apresentação o chef explicou que, na Índia, os doces são servidos com prateado. É uma forma de enaltecer a refeição. Além de que, como explicou, quis apresentar o foie gras como se fosse uma sobremesa. Este foi servido quase como se fosse uma nuvem, salpilhado por frutos vermelhos, uma dose de doce e uma ou outra passa. Uma refeição onde imperou o contraste entre a acidez e o doce e a leveza do foie gras com o estaladiço dos frutos vermelhos.

Seguiu-se um prato mais tradicional. Pelo menos nas palavras do chef Gaggan Anand. Afinal, um caril é um caril. Certo? Errado. O título de “Dhokla” serviu para descrever um prato extremamente complexo. O bolo de lentilhas escondia o caril. Que se encontrava rodeado por uma espuma de coentros e por um sorbet de coco. O que permitiu fazer inúmeras combinações. Para quem não aprecia picante bastava misturar o bolo, com o caril e o sorbet de coco. Para os apreciadores da gastronomia indiana/asiática a melhor combinação seria definitivamente a do caril com a espuma de coentros. A combinação dos dois sabores era literalmente de por qualquer pessoa a salivar. Ou melhor ainda. Alternar entre um caril suave (quando misturado com o coco) e um mais intenso (com os coentros).

Seguiu-se um prato que apelava à elegância. Uma elegância visual e dos sentidos. Um “Langoustine Carpaccio with coconut anda citrus torn kha”, acompanhado do vinho verde Quinta do Ameal 2012. O que dizer de um prato que combina a elegância, exotismo e sabores tão conhecidos dos portugueses? Aqui a doçura da lagosta combinou na perfeição com a acidez do vinho verde. Sendo que o seu sabor foi devidamente acentuado pela erva limão. E o ligeiro toque de coentros limitou a aperfeiçoar um prato, já de si perfeito.

Seguiu-se um “John Dory with liquorice and almond”, criado pelo chef Heinz Beck, servido com o vinho da Bairrada Diga? 2008. O responsável pelo restaurante Gusto, do Conrad Algarve procurou apresentar um prato que seguiu-se a linha do tema asiático. Optou então por um pescado fresco, com lagostim e creme de amêndoa com licor. O que poderia parecer insípido na verdade, quando acompanhado pelo creme de amêndoa, transformava-se. E ganhava vida.

A refeição terminou com um “Avocado and citrus”, idealizado por Marco Westmaas, e que foi servido com um Porto Quinta de la Rosa Vintage 2009. Depois de uma refeição em que imperou a delicadeza da gastronomia tailandesa não se poderia esperar outra coisa que não uma variedade de abacate, servida de diversas formas, acompanhada por coentros, rum e gema de ovo. Uma sobremesa delicada, com uma complexidade e variedade que satisfez todos e mais alguns desejos. Que limpou o palato. E que nos pôs a desejar por mais. A experimentar os diversos “montinhos” para descobrir em que consistiam e cuja acidez complementou, de forma perfeita, com a doçura do vinho.

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