Serra da Estrela com novo quatro estrelas

Dos sonhos de Luís Gonçalves e Maria de Lurdes nasceu, em Gouveia, o hotel rural Madre de Água. A promessa é de descanso, boa comida (e bebida), experiências diferentes e contacto com a natureza. Fica em Gouveia, a 20 quilómetros da Torre.

A 20 quilómetros da Torre, mais precisamente em Gouveia foi inaugurado uma nova unidade hoteleira. O hotel Rural Madre de Água é fruto da paixão e de Maria de Lurdes e de Luís Gonçalves e de cerca de 2,5 milhões de euros de investimento, apenas com recurso a capitais próprios, nomeadamente as poupanças de 30 anos de trabalho (só uma das quintas foi adquirida com recurso de um  empréstimo à banca).

O que começou com o projecto de um terreno de dois hectares rapidamente, fruto da sorte e do acaso, evoluiu para 50 hectares, um hotel, uma queijaria e produção de vinho do Dão.

O hotel disponibiliza oito quartos duplos e duas suites, distribuídos por dois pisos, todos decorados num estilo simples e clean, mas com cores diferentes e com preços a partir dos 120 euros.

A promessa é a de sossego, descanso, diversão e boa comida. Isto porque o restaurante está a cargo do chef Valdir Lubave, que anteriormente trabalhava na Pousada de Belmonte. A aposta passa pelos produtos regionais e da própria quinta. A herdade tem produção própria de leite e queijos, assim como de azeite e de vinho.

O restaurante está aberto ao cliente externo, da mesma forma que o hotel está preparado para satisfazer as necessidades de empresas e reuniões de negócios. Para o verão os clientes podem aproveitar o microclima da região (entre a serra da Estrela e do Caramulo) e desfrutar da piscina.

Tudo começou com uma história de (n)amor(o). Em 2008 Luís Gonçalves namorava com Maria de Lurdes, originária de Gouveia. E decidiu que queria ter o seu espaço sempre que a namorada ia visitar a mãe (o que acontecia todos os meses).

“Na altura havia muita oferta”, referiu Luís Gonçalves. O objectivo era o de adquirir uma herdade com dois hectares, de forma a construir uma “casita”.  Mesmo porque era necessário espaço para abrigar os cães abandonados entretanto recolhidos por Maria de Lurdes, aquando da sua estadia em Cascais.

Quando surgiu a possibilidade de adquirir a Quinta Madre de Água Luís Gonçalvez ainda pensou duas vezes. O espaço era muito superior ao que tinha planeado (a propriedade tinha 13 hectares). Pelo que fez uma proposta para apenas uma parte da quinta. Na altura este executivo tinha decidido emigrar e iniciar um novo projecto profissional em Angola. E é lá que recebe uma resposta irrecusável: por mais um pouco do valor proposto poderia comprar a totalidade da quinta.

O percurso ou aventura teve o seu que de sorte, como reconhece Luís Gonçalves. E dos problemas surgiram soluções. Com a decisão de compra o projecto começa a crescer. Como a área era grande começou-se a pensar em algo mais do que uma segunda habitação. Que aliás, como refere Maria de Lurdes, ainda não foi construída.

Com a paixão pela região o desafio fica maior. Decide-se criar uma adega e plantar uma vinha. Para isso foi necessário comprar mais uma quinta. Descobriu-se uma propriedade de 10 hectares com vinhas de sete anos. O que colmatou o problema de tempo. Uma vinha para dar bom vinho demora alguns anos.

“O sonho de dois hectares terminou num projecto com hotel, queijaria e vinha”

Entretanto foi-lhes sugerida a oportunidade de adquirir um rebanho de 50 ovelhas. Que levou a que surgisse a ideia de ter uma queijaria. E como tudo influencia o produto final no desenho da queijaria (que já está em fase de implementação) tudo foi pensado ao pormenor. Inclusive o caminho por onde os  animais andam, de forma a não se magoaram, não entrarem em stress e, com isso, não alterarem a qualidade do leite.  E a existência dos animais obrigou a que a criação da queijaria ganhasse primazia em relação à adega. Que não ficou esquecida. Apenas adiada.

A queijaria arranca já este ano. O rebanho conta já com 250 ovelhas, que são guardadas por quatro pastores. Por enquanto o leite produzido é entregue a uma queijeira que apenas trabalha para a Quinta Madre de Água.

A adega é um sonho antigo de Luís Gonçalves. Visitou adegas, vinhas, pesquisou, desenhou… e o projecto foi crescendo. Até que em Dezembro de 2011 Luís Gonçalves conhece um comercial de equipamentos para adegas que lhe pergunta se quer fazer “uma fábrica de vinhos ou uma adega de vinhos”.

As dúvidas são solucionadas e decide-se recomeçar do zero. Optou-se por fazer algo mais pequeno mas mais tradicional. Apostar na qualidade em detrimento da quantidade. Os primeiros vinhos deverão estar no mercado (externo) em 2015.

Com 58 e 57 anos de idade Luís e Maria de Lurdes Gonçalves sabem que estão a iniciar um projecto que vai muito para além das suas vidas. Que vai ser rentabilizado a longo prazo. Mas as contas estão todas contabilizadas por Maria de Lurdes. “Eu trato apenas de dar o dinheiro”, ri-se Luís Gonçalves.

Artigo publicado no suplemento de viagens do Oje, a 11 de Janeiro de 2013.

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