Três anos de Palácio do Freixo

O 5 de Outubro é mais do que um feriado nacional. Foi também a data de inauguração da primeira Pousada de Portugal na cidade Invicta.

Palácio do Freixo - Porto

ESTÁVAMOS EM 2009, mais precisamente a 5 de Outubro, quando foi inaugurada a Pousado Porto, com o nome de Freixo Palace Hotel. A unidade, a primeira da rede Pousadas de Portugal, na capital nortenha, teve por base um antigo palácio, do século XVIII.

Palácio, classificado como Monumento Nacional desde 1910, foi adaptada à era moderna e aos requisitos definidos pelas Pousadas de Portugal, pelo arquitecto David Sinclair. A decoração ficou a cargo de outro arquitecto, Jaime Morais.

O edifício, da autoria do italiano Nicolau Nasoni, é considerado como sendo um dos mais belos exemplos do barroco civil português. Tudo começou em 1725, quando D. Jerónimo de Távara e Noronha, Deão da Sé do Porto, decidiu construir um palácio e entregou o projecto
ao famoso arquitecto italiano, tendo sido o responsável pela sua vinda para Portugal (Nicolau Nasoni também projectou edifícios emblemáticos como a Igreja e Torre dos Clérigos, a fachada da Igreja da Misericórdia – no Porto, assim como a fachada principal da Igreja
do Senhor do Bom Jesus – em Matosinhos, e o corpo central do Palácio de Mateus – em Vila Real).

A planta original, rectangular, estava enquadrada por quatro torrões salientes e coberta com telhados em pirâmide. Nicolau Nasoni não desanimou pelo constrangimento do declive do terreno. Pelo contrário. Aproveitou esta “desvantagem” e nivelou a “casa” com diferentes planos, decorada com jardins, enfeitados com esculturas e fontanários.

No entanto o maior desafio (mais ainda do que o do terreno) foi o de criar quatro fachadas diferentes. A principal fonte de inspiração de Nicolau Nasoni foram os elementos náuticos típicos do barroco. É o caso das algas, dos peixes, das vieiras… Sem esquecer os golfinhos, símbolo da família Távora Noronha, proprietária da obra. Para o interior recorreu-se a frescos, assim como a tectos de estuque, tendo por base temas alegóricos e de matiz oriental.

Nos finais do século XIX, e depois de já ter passado pelas mãos de António Afonso Velado, Barão e Visconde do Freixo, a propriedade é vendida à Companhia Harmonia, altura em que o edifício é ampliado e é construída uma fábrica de moagem. A actual Pousada está localizada nestes dois edifícios, entretanto recuperados e adaptados à era moderna.

Em 1986 o Estado adquiriu o Palácio às Moagens Harmonia. Mais tarde esta é cedida, pela Câmara Municipal do Porto, ao grupo Pestana, para que este pudesse aí edificar a Pousado do Porto.

Hoje a Pousada repousa nos dois edifícios existentes (o palácio e a antiga fábrica de moagem) ligados entre si. No Palácio localizam-se as áreas públicas, como o restaurante, o bar, as salas de  estar e de reunião. Na antiga fábrica ficam os 87 quartos, alguns dos quais com vista sobre o rio Douro.

Para tal foi necessário levar a cabo todo um plano de adaptação e restauro não só dos edifícios mas também das obras de decoração e do jardim, levado a cabo pelo atelier do arquitecto David Sincair e do engenheiro José Graça. Recuperação que foi complementada com um projecto de design de interior da autoria de Jaime Morais, que incluiu 90 peças de época, cedidas pelos museus da cidade do Porto, assim como outras de carácter contemporâneo.

Das obras realizadas destaca-se a recuperação e preservação das madeiras originais dos soalhos, portas e janelas, assim como a inclusão de um elevador, num saguão inexistente. Foi também necessário adaptar a cozinha e conceber um sistema de controlo remoto para a iluminação e aclimatação. Houve o cuidado de preservar os frescos e espelhos da época, que actualmente decoram as salas de estar e de leitura e demais áreas públicas.

Já no edifício da antiga fábrica optou-se por, a nível estrutural, recuperar a estrutura metálica interior original. Aqui estão os 87 quartos da
pousada, assim como uma sala polivalente, o SPA, o fitness centre e a piscina interior. Houve também o cuidado de recuperar a antiga chaminé, traço característico e símbolo do seu passado industrial.

A vista para o rio Douro e o acesso directo à frente ribeirinha são dois dos principais aliciantes para quem frequenta o Palácio do Freixo. O antigo pontão de cargas e descargas foi totalmente recuperado e convertido em “lounge deck”, sendo uma excelente escolha um fim de tarde.

A proximidade ao rio não é a única vantagem da pousada. O mesmo acontece em relação aos principais pontos de acesso à cidade do Porto: está a cerca de dois quilómetros da estação ferroviária da Campanhã e a 20 minutos de carro do aeroporto. Sendo que o estacionamento é gratuito. É por isso um local indicado para relaxar, aproveitar a vista, usar e abusar das massagens e da boa comida. Não é por acaso que o restaurante, com uma ementa onde impera a cozinha tradicional portuguesa, apresenta pratos como a Francesinha, as Tripas ou o Bacalhau à Zé do Pipo. Sempre acompanhados de um bom vinho, claro.

Artigo publicado no suplemento de viagens do Oje, a 12 de Outubro de 2012.

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